Vivências no MP relembra atuação de promotor de Justiça na direção da Biblioteca Pública do Estado
Na série Vivências no MP, o Memorial Sérgio da Costa Franco, da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul, resgata trajetórias que ajudam a compreender a presença de membros do Ministério Público em diferentes espaços da vida pública e cultural do Rio Grande do Sul. Neste artigo, é revisitada a história de Victor Silva, promotor de Justiça, poeta e intelectual que teve papel decisivo na consolidação da Biblioteca Pública do Estado no início do século XX.
Um Promotor de Justiça na Direção da Biblioteca Pública do Estado
Em 1897, a convite de Júlio de Castilhos, presidente do Estado, Victor Silva veio para o Rio Grande do Sul, nomeado Promotor Público para a cidade de Montenegro, onde também exerceu o cargo de Inspetor da 3ª Região Escolar. Em 1899, foi designado pelo presidente do Estado, Antonio Augusto Borges de Medeiros, para a direção da Biblioteca Pública, desempenhando também a função de administrador do Teatro São Pedro.
Victor Silva era nascido no Rio de Janeiro, em 07 de agosto de 1865, bacharel em Letras. Escreveu um livro de poemas, “Vitórias”, edição póstuma de 1924, publicado pela Livraria do Globo.
Criada legalmente em 1871, por meio da Lei Provincial nº 724, de 14 de abril, ainda sob o Império, a Biblioteca Pública do Estado somente floresceu nos governos republicanos, especialmente os de Carlos Barbosa e Borges de Medeiros, que construíram o prédio ora existente. Começou a funcionar em 21/1/1877, no prédio do antigo Liceu Dom Afonso, então Ateneu Riograndense, à esquina das ruas Duque de Caxias com Marechal Floriano.
Nascia bem depois da Biblioteca de Rio Grande, a maior do Estado, fundada em 15 de agosto de 1846.
Na época, a Biblioteca Pública funcionava junto ao Ateneu Riograndense, em precárias condições. Daí que a construção de um espaço próprio passou a ser uma das metas da direção.
O atual prédio da Biblioteca, à Rua Riachuelo, esquina da General Câmara, começou a ser construído em 07/2/1912, com base num projeto do engenheiro porto-alegrense Afonso Hébert, com o objetivo de retirar a instituição do prédio onde se achava (“Escola Complementar”), já superlotado.
Foi construído em 2 etapas, ficando a primeira concluída em 1915.
A primeira parte possuía toda a sua atual fachada na Rua Riachuelo, porém a metade da frente que existe na Rua General Câmara. A segunda etapa da obra foi concluída em julho de 1921. Seguiram-se os trabalhos de acabamento, que se desenvolveram até 1922, período em que se aprimorou e enriqueceu toda a decoração, com aplicação de mármores e parquets, aquisição de mobiliário requintado, pinturas e esculturas, revestimento das paredes internas com pintura decorativa e instalação de estantes de aço, cujo peso obrigou ao reforço do piso, tudo sob a inspiração do poeta e diretor Victor Silva.
Possuía medalhões dourados, rebuscada decoração “art nouveau”, pesado mobiliário, quadros e painéis de expressão. Foi tratado à moda positivista. Em suas fachadas, instalou-se um conjunto de nichos com bustos de mármore relativos às personalidades da humanidade, importados da França, que representam parte do calendário positivista, criado pelo próprio Auguste Comte.
Victor Silva faleceu em 13 de dezembro de 1922, pouco tempo após a inauguração das obras de aumento do prédio e do embelezamento da Biblioteca Pública Estadual.

