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Série Vivências no MP relembra a criação de espaço fundado em 1989 para valorização da cultura italiana

Artigo de Agenor Casaril resgata os primórdios da Massolin de Fiori Societá Taliana, que mantém vivas tradições e reúne descendentes de imigrantes em Porto Alegre
06/04/2026 Atualizada em 09/04/2026 16:37:53
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Coro Massolin de Fiori durante o 19° Encontro de Corais, realizado em setembro de 2025 no Grêmio Náutico Gaúcho, Porto Alegre. Reprodução/Facebook

Na série Vivências no MP, o Memorial Sérgio da Costa Franco da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) vai além do resgate histórico da Instituição e revisita episódios que marcaram a vida social e cultural do Rio Grande do Sul.


Em artigo assinado pelo procurador jubilado Agenor Casaril, ele relembra os primórdios da Massolin de Fiori Societá Taliana, entidade fundada em dezembro de 1989, em Porto Alegre, como um espaço de convivência e preservação da cultura italiana no Estado.


Hoje, o local continua reunindo descendentes de imigrantes para celebrar tradições, língua, música e valores comunitários que atravessam gerações, funcionando de segunda a sexta-feira, até às 19h, e oferecendo atualmente cursos de idioma italiano.


A imigração italiana na Massolin de Fiori


Por procurador jubilado Agenor Casaril


Neste 2025, ano da celebração do sesquicentenário da imigração italiana no Rio Grande do Sul, uma visão sintética de segmento, a partir da Massolin de Fiori Societá Taliana, permite sublinhar, sob o prisma sociológico e antropológico-cultural, relevantes fatos do contexto imigratório deste Estado.


Em 1989, Porto Alegre prosperava, com um caudal de energia vital e produtiva de muitas dezenas de milhares de descendentes de imigrantes italianos, provenientes das regiões setentrionais da Itália, especialmente da região do Vêneto, que se somavam aos muitos, posteriormente provenientes das regiões meridionais daquela.


Eram poucos, nessa década, em Porto Alegre, os espaços organizados e disponíveis para a convivência cultural e social dos ítalo-descendentes. Resumia-se, praticamente, à Sociedade Italiana do Rio Grande do Sul, antes Bella Aurora (1893), depois Elena di Montenegro (1896), criada para amparar o movimento operário de Porto Alegre e educar os filhos dos imigrantes italianos que viviam na cidade. Os ítalo-descendentes setentrionais, já na quarta geração e provenientes das antigas colônias do interior gaúcho, não eram afeitos nem estimulados a procurar este centro de encontro e convivência. Desta realidade, surgiu, em 1989, a Massolin de Fiori Societá Taliana, com o objetivo de criar mais um espaço de encontro e convivência socio-cultural dos ítalo-brasileiros em Porto Alegre.


Estes últimos, em regra, não falavam o italiano, mas o Talian (koiné dos dialetos triveneto-lombardos), que, 120 anos depois da imigração, ainda era falado, junto à correspondente cultura de raiz (gastronomia, costumes, religiosidade, valores morais e familiares, cantos populares e folclóricos). Por isso, no início dos anos 1990, este notório fenômeno socio-cultural repercutiu na capital do Vêneto, e a Massolin de Fiori foi visitada, para fins de pesquisa, pelo Prof. Giovanni Meo Ziglio, da Università Cà Foscari, de Veneza.


Estudos realizados e estimulados pelo saudoso professor de Antropologia da UFRGS, escritor e editor, Frei Rovílio Costa, evidenciaram algumas características fundamentais da cultura dos imigrantes e seus descendentes. O êxito alcançado por eles, nas regiões bravias transformadas em progresso e bem-estar, tem um substrato cultural e moral:


a) o amor a Deus, expresso na religiosidade e nos valores morais e espirituais daí decorrentes;


b) o amor à família, como expressão de afetividade e construção de felicidade e sentido profundo do viver;


c) o amor ao trabalho, como cultura na senda do construir-se.


Os idealistas criadores da Massolin de Fiori eram expressão desse modo de ver, sentir e fazer a vida associativa.


Neste contexto cultural, vale destacar a vivência dos cantos populares e folclóricos trazidos pelos imigrantes italianos. No âmbito da Massolin de Fiori, como cumprimento póstumo da vontade do associado Arlindo Nardi, em 2004 foi criado o Instituto Cantoria Italiana, congregando associados apreciadores de tais cantos.


Este cantar evoluiu para a gravação e publicação de sete CDs, expressando a pesquisa e perpetuação dos cantos representativos da cultura dos imigrantes. Trata-se, portanto, de um trabalho de resgate e preservação da alma canterina dos ítalo-brasileiros, já na quarta e quinta gerações, ainda intacta.


Este resgate e memória para os pósteros evidenciam o forte papel do canto na cultura imigrante. Assim, este nosso cantar, além de lembrar aos presentes e futuros descendentes as virtudes da cultura dos ítalo-descendentes, também recorda a sã alegria que eles representam. Cantou-se no trabalho, nos filós, nas sagras, nos casamentos, nas refeições coletivas, nas reuniões domingueiras e nos enterros, de forma que a colonização italiana do RS plasmou-se cantando. O canto foi expressão de vida comunitária, criando ambiente para o sadio ecoar da cultura. Onde não houve vida comunitária, os cantos e a cultura italiana foram definhando.


São, portanto, cento e cinquenta anos em que nosso cantar ecoa pelos espaços socioculturais da colonização italiana do extremo sul do Brasil. Essas canções são portadoras de uma perene mensagem de alegria, caminhada construtiva e amor.



Em Santa Cruz do Sul, em 2024, o procurador jubilado Agenor Casaril foi homenageado como um dos idealizadores da Semana do Ministério Público, evento que se consolidou no calendário jurídico do Estado desde 1984. Foto: Tiago Coutinho / MPRS

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