Inteligência artificial e desinformação: Congresso debate novos desafios para as eleições
A programação científica do XVII Congresso Estadual do Ministério Público iniciou a manhã desta sexta-feira, 7 de agosto, com o painel “IA e desinformação nas eleições”, que reuniu o professor e especialista em Direito Eleitoral, Direito Digital e Inteligência Artificial Alexandre Basílio e o coordenador do Gabinete de Assessoramento Eleitoral do Ministério Público do Rio Grande do Sul (MPRS), Rodrigo López Zilio. Mediado pelo vice-presidente Administrativo e Financeiro da AMP/RS, Henrique Rech Neto, o encontro abordou os impactos das novas tecnologias no processo eleitoral e os desafios para a atuação das instituições.
Na abertura do debate, o vice-presidente Administrativo e Financeiro da AMP/RS, Henrique Rech Neto, destacou que os avanços tecnológicos ampliaram as possibilidades de acesso e análise de informações, mas também trouxeram novos desafios relacionados ao ambiente digital. “A tecnologia traz novos avanços, mas também causa preocupação diante da forma como os dados circulam na internet, do uso de robôs para manipulação de informações nas redes sociais e da necessidade de uma regulação adequada. Por isso, é fundamental promover debates como este, trazendo especialistas para aprofundar o tema e preparar a classe para os novos desafios”, destacou.
Durante o painel, Alexandre Basílio destacou que a evolução da inteligência artificial trouxe novos desafios para o sistema eleitoral, especialmente pela possibilidade de criação e disseminação de conteúdos manipulados. Segundo o especialista, a velocidade de desenvolvimento das tecnologias tem exigido das instituições uma constante atualização para compreender seus impactos e estabelecer respostas adequadas.
“O ano de 2026 tem sido desafiador no que diz respeito à tecnologia. As instituições precisam entender o que é inteligência artificial, o que são novas formas de manipulação de conteúdo e como é possível criar desinformação a partir dessas ferramentas. O desafio envolve aspectos tecnológicos, jurídicos e judiciais”, alertou Basílio.
O professor ressaltou ainda que as ferramentas atuais ampliaram a complexidade do enfrentamento à desinformação, exigindo uma análise permanente sobre os limites e as possibilidades do uso da inteligência artificial no ambiente eleitoral.
Ao abordar a perspectiva institucional, Rodrigo López Zilio destacou que o tema é relevante não apenas pela proximidade do período eleitoral, mas também pela necessidade de ampliar o conhecimento dos membros do Ministério Público sobre o ambiente digital.
“O tema da desinformação e da inteligência artificial é absolutamente relevante porque estamos próximos do período eleitoral, mas também porque envolve uma ferramenta de informação que impacta a sociedade. Ter conhecimento sobre esse cenário permite que promotores e promotoras estejam mais preparados, tanto para a atuação profissional quanto como cidadãos”, afirmou Zilio.
O painel integrou a programação científica do Congresso Estadual e reforçou o debate sobre os efeitos das transformações tecnológicas no processo eleitoral, na circulação de informações e na atuação das instituições.


