Em artigo em GZH, Fernando Andrade Alves destaca os 85 anos da AMP/RS e os desafios para o futuro
O presidente da Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS), Fernando Andrade Alves, publicou, nesta quarta-feira, 8 de outubro, um artigo de opinião em GZH no qual destaca os 85 anos de história da entidade. No texto, o presidente recupera a trajetória da Associação e ressalta o compromisso de diferentes gerações com a defesa do Ministério Público, da democracia e da sociedade.
A reflexão também aborda os desafios impostos pelas transformações sociais e tecnológicas e a importância de preparar a instituição para o futuro sem perder de vista os valores que orientam sua atuação. Para o presidente, a trajetória construída ao longo de oito décadas oferece referências para enfrentar as transformações do presente e os desafios que ainda estão por vir.
Leia a íntegra do artigo abaixo.
85 anos de história, um compromisso que se renova
A democracia não depende só do voto, mas de instituições que garantam as regras do jogo eleitoral
Por Fernando Andrade Alves, presidente da Associação do Ministério Público do RS
Há instituições que atravessam o tempo e ajudam a construir a história. Em 8 de outubro, a Associação do Ministério Público do Rio Grande do Sul (AMP/RS) completa 85 anos. Mais do que celebrar, a data nos convida a olhar para sua trajetória e para os desafios que se renovam com o tempo.
Fundada em 1941, a AMP/RS nasceu num Brasil muito diferente. Desde então, o país mudou, o exercício da cidadania passou por momentos distintos e o Ministério Público assumiu responsabilidades na entrega efetiva de direitos. Gerações contribuíram para essa história, renovando o compromisso com a instituição e a carreira do Ministério Público, com a democracia e a sociedade.
No último domingo, milhões foram às urnas escolher representantes. O MP foi fundamental: buscou fazer valer as regras eleitorais, combateu abusos e garantiu o exercício da vontade do eleitor. A democracia não depende só do voto, mas de instituições que garantam as regras do jogo eleitoral.
Nesse cenário, o sistema de Justiça merece atenção. Debates sobre altas autoridades, questionamentos sobre seu funcionamento e episódios que demandam apuração evidenciam uma questão essencial: a confiança nas instituições precisa ser constantemente construída como objetivo principal de todos os seus ocupantes temporários.
Para o Ministério Público, o desafio é ainda maior. Promover o pleno exercício da cidadania e fortalecer o Estado de Direito exige independência e firmeza, mas também exige dialogar com a passagem do tempo.
A tecnologia também muda relações. A sociedade cobra instituições ágeis, próximas, transparentes e capazes de responder aos novos tempos. A modernização precisa potencializar as instituições e seus agentes de hoje, sem determinar o abandono das interações reais que nos fazem humanos.
Aos 85 anos, a AMP/RS sabe que cada geração recebe um legado e deve entregá-lo melhor às próximas. O passado nos dá identidade. O presente impõe responsabilidade. E o futuro nos chama à presença.