Palavra da Presidente

A dedicação e a força do MP

Publicado em 15/03/2019

Nesta semana, os gaúchos reviveram o drama do menino Bernardo Uglione Boldrini, de Três Passos, assassinado em 2014 por aqueles que mais deveriam protegê-lo: seu pai e sua madrasta, com a ajuda de mais duas pessoas. O país inteiro acompanhou o julgamento através da imprensa, em tempo real. Assisti o julgamento pessoalmente, e foi impossível não ficar impactada com a brutalidade do crime.
Os colegas promotores de Justiça Bruno Bonamente, Ederson Vieira e Silvia Inês Miron Jappe foram firmes e técnicos na acusação aos réus, atribuindo-lhes a responsabilidade pelo homicídio qualificado, ocultação de cadáver e falsidade ideológica e pedindo que fossem condenados às penas máximas previstas para os crimes. Atuando com brilhantismo, o Ministério Público debruçou-se, ao longo do julgamento, a desnudar o vasto contexto probatório que demonstra as autorias do hediondo crime. No momento mais tenso do julgamento, o Conselho de Sentença, composto por sete pessoas da comunidade local, sorteadas pela Justiça, ficou abalado diante das fotos do cadáver do menino, apresentadas por Bonamente. Assisti a reafirmação da importância da realização do júri, aliás, previsto na Constituição Federal, nos termos do seu art. 5º, inc. XXXVIII, como garantia fundamental do cidadão, ser julgado por seus pares nos crimes dolosos contra a vida.
O excelente desempenho dos colegas, representando o Ministério Público, deu voz ao clamor da sociedade, estarrecida diante da brutalidade do crime. Estamos, mesmo, vivendo dias de tramas criminais que se avolumam no Estado e no País. A população está tendo a oportunidade de conhecer e acompanhar o competente e dedicado trabalho dos promotores de justiça e de todo o sistema de justiça, e de perceber a relevância dos mesmos. Aqueles que julgam os integrantes destas instituições como “privilegiados” veem, agora, a relevância do nosso ofício. Como guardiões da Lei, a nossa missão, além de incluir o aspecto da legalidade, abrange também a guarda e a promoção da democracia, da cidadania, da justiça e da moralidade e, especialmente, a defesa dos setores mais vulneráveis e mais necessitados de amparo e, principalmente, da vida!
Mesmo com as constantes ameaças e ataques à sua autonomia institucional – na contramão do que a sociedade espera – sabemos que somente com um Ministério Público forte, a sociedade estará protegida. Precisamos estar vigilantes, altivos. E estaremos sempre! A sociedade sabe que conosco pode contar! Hoje, como mãe, promotora de justiça e, como representante da classe, volto de Três Passos pesarosa com a situação, mas orgulhosa com a força da nossa atuação.